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Uma peça em 3 atos

Triathlon – Do grego, Tri (três) + Athlon (combate)

Bem vindo a minha estória no Triathlon. É uma longa estória, cheia de detalhes interessantes, passagens engraçadas. Se tiver paciência, leia até o final. Espero que seja tão agradável para você ler quanto foi para mim escrevê-lo.
EA

UMA PEÇA EM TRÊS ATOS

Uma fria manhã de domingo em agosto. O nervosismo é grande, afinal das contas vou encarar daqui a pouco minha primeira prova de triathlon. Realmente não sei o que me espera, afinal de contas o ano todo foi só de treinamento, quase nada de prática em provas. Aliás, muito pelo contrário, a experiência na prova de estréia em multiesporte foi quase catastrófica, mas eu conto com calma mais para frente. Vamos para um flash back, vou voltar um pouco no tempo, no exato momento em que me decidi praticar esportes, corrida para ser mais específico.

O INÍCIO

O dia era 3 de abril, o ano, 2005. Levada pela equipe de sua área no banco, minha esposa estava pronta para encarar sua primeira corrida, uma longa prova de 6km. Longa? Sim, para ela naquele momento era uma longa prova, já que era sua primeira corrida oficial e ela não sentia muito prazer em correr. Fui junto, como torcedor, acompanhante de minha filha e principalmente fotógrafo, uma das grandes curtições na minha vida. Se para minha esposa aquela era uma prova longa, o que dizer de mim. Deixei de praticar esportes aos vinte e poucos anos, e além disso nada muito além de um futebol com os amigos, skate ou surf. Passei dos vinte aos trinta largado, bebendo, comendo e dormindo mal. Aos trinta e dois anos encontrei minha primeira paixão esportiva, o squash. Me dedicava, treinava e fazia aulas duas vezes por semana. Fiquei louco com essa coisa até que uma lesão mal tratada me obrigou a largar o esporte totalmente.

No momento da largada lá estava eu, com a câmera em punho, clicando à vontade e com quase 100 quilos de peso!

Mas aquele momento foi mágico, os instantes que precederam a largada transmitiam uma vibração impressionante. Mais de dez mil pessoas esperando o desafio à frente com um sorriso no rosto.Quando a campainha soou, e todos gritaram juntos alguma coisa mudou na minha cabeça. Naquele exato momento eu havia decidido, a próxima corrida vai ser sim, a minha primeira corrida.

Uma rápida pesquisa na internet indicava que no dia 29 de março haveria uma outra prova. Perfeita para minha estréia, 5 km da Nike, organizada pela Corpore. Agora só faltava uma estratégia.

Mas até então o segredo estava guardado comigo, os planos mantidos na minha cabeça. Quando os elogios a respeito das fotos tiradas chegaram junto com um convite para fotografar a próxima corrida eu finalmente me expus. “Participarei da prova, mas desta vez não como fotógrafo e sim como atleta.” Estava criada a primeira meta no esporte e agora era correr atrás. O mais legal foi ter encontrado no banco em que trabalho, um grupo de corredores muito motivado. Aí foi uma semente boa plantada numa terra fértil.

Treinando desordenadamente, e irresponsavelmente por não ter feito exames para saber a quantas andava minha saúde, eu cheguei lá. 5 km que pareceram uma eternidade, com muita dor na panturrilha, mancando adoidado no último quilômetro, cruzei a linha de chegada com o número 12262, chorando feito uma criança e uma sensação indescritível de que podia ir além. O tempo? Incríveis 34 minutos e 46 segundos. Vinte dias depois estava encarando meus primeiros 10 km. E então surge para mim uma nova meta: dia 31 de dezembro quero estar alinhado na Av. Paulista para a largada da São Silvestre.

A SAÚDE

De repente o perigo. Mesmo correndo algumas provas, meu peso estava muito acima do desejável, e isso me trazia dores no joelho, canela, costas além de uma péssima performance. Não conseguia treinar dois dias seguidos de jeito algum. E então numa certa noite veio o susto. Comecei a me sentir mal, como se estivesse sendo enforcado. Sabia que minha pressão estava alta mas me acovardei de ir ao hospital. Na manhã seguinte, ainda me sentindo mal, desci até a enfermaria para medir a pressão. 18 por 12 e um ultimato da enfermeira que iria marcar uma consulta ao cardiologista naquela semana. Após os exames percebi o risco que corri ao me exercitar sem acompanhamento médico. Colesterol e Triglicérides nas alturas poderiam ter causado um dano mais grave. Mas isso me ajudou muito, o que não nos mata nos fortalece. Uma rígida dieta me fez perder mais de 10 quilos e colocou meus treinos em outro patamar. Assim que fui liberado pelos médicos para voltar a correr, percebi que estava em outra estratosfera e isso me motivou muito.

A São Silvestre estava logo ali, e eu não perdi tempo. Treinei com afinco e descobri que 15 km eram muito diferentes de 10 km.

Mas cheguei lá, mais uma vez com uma forte emoção e acompanhando um bravo lutador, Marcelo Porto, que enfrentou uma dieta muito mais agressiva que a minha e mudou seu estilo de vida de forma tão radical e apaixonada que carregou consigo uma legião de novos apaixonados pelas corridas. Naquele dia 31 de dezembro de 2005, estávamos em estado de luz e completo torpor, numa outra dimensão.

O TREINADOR

Após a São Silvestre percebi que um treinamento orientado seria fundamental para melhoria de minha performance e estilo de corrida. Foi então que eu conheci o cara que iria mudar minha vida no esporte, Vinicius Dias Santana.

Encontrei na internet um sujeito que oferecia a demonstração gratuita de planilha de treinos. Como não iria gastar nada além de tempo, decidi fazer o teste. Entrei em contato com ele por email e ele retornou um pedido. Para que eu tivesse a planilha elaborada, deveria preencher um detalhado questionário, que abordava todos os detalhes de minha vida. O que fazia, comia, como dormia, como treinava, qual meu ritmo nas provas, disponibilidade de tempo, objetivos. Aquilo de saída me chamou atenção. Recebida a planilha, treinei como indicado e percebi que com disciplina poderia, mesmo à distancia, alcançar meus objetivos.

O que mais me chamou a atenção foi a dedicação e acompanhamento por parte dele. Todos os emails enviados com parciais, percepção, dúvidas, eram prontamente respondidos. Isso acabou gerando de minha parte um grande respeito pelo treinador. E isso só iria aumentar com o passar do tempo.

Descobri que além de um grande treinador era também era um excepcional atleta. Quando ele me disse que ficaria com o acesso à internet prejudicado por ter que levar 2 atletas para competir no Ironman de Floripa, além dele próprio, procurei pelo resultado dele na prova. O cara detonou e fechou em 10º lugar. Aí eu descobri por que ele transmitia tanta segurança nas respostas das minhas dúvidas. E acha que é só isso? Além de ser novo ainda, nesta época com 23 ou 24 anos, descobri que o cara tem diabetes, supera todas as dificuldades e vocês podem apostar, ele ainda vai dar muito trabalho para os adversários e muitas alegrias para o Brasil.

Só pra adiantar, ele melhorou seu resultado no ano seguinte em duas posições, e ainda por cima foi agraciado com a vaga para o IronMan no Hawaii pelo atraso do ganhador da prova, Oscar Galindez, na cerimônia de confirmação das vagas. Azar o dele, sorte do Vinnie. De quebra, foi convidado para treinar com uma grande equipe, Team TBB (The Bike Boutique), onde treina Chrissie Wellington, campeã em Kona em 2007. O único porém foi o fato dele ter se mudado para Tailândia, mas isso só mudou o fuso horário, a dedicação do cara continua gigante.

Eu volto a falar dele mais tarde, garanto.

SEGUNDO ATO

CORRIDAS, E MAIS CORRIDAS

E os meses foram passando, um após o outro e eu entupindo a porta de meu armário com medalhas e as gavetas com camisetas das provas. Metas propostas, metas alcançadas, uma vitória pessoal atrás da outra. Barreiras psicológicas iam caindo, vocês nem imaginam a alegria quando consegui fazer meus primeiros 10K abaixo de 1 hora.

E os desafios foram crescendo, coloquei na cabeça a meta de uma meia maratona, e sai treinando para ela. E numa manhã gelada lá estava eu na USP para participar de uma, a meia maratona de revezamento Flanax. Cruzei a linha de chegada vibrando muito, com um tempo abaixo de meu objetivo em quase 10 minutos e tecnicamente perfeita, a cada quilômetro de cada volta, um tempo melhor que o anterior. Não esqueço deste momento de jeito algum.

Mas a rotina destrói as ambições, eu já perdia minha paciência, comecei a reclamar de desorganização das provas, de tumulto, dos treinos. Estava difícil traçar outra meta, maratona não estava nos meus planos. Aí eu resolvi dar um tempo…

E mais uma vez o Vinnie deu provas de ser um grande sujeito, um profissional espetacular. Eu estava cheio de dedos para falar para ele que eu ia deixar de treinar, que queria dar uma parada e ao mesmo tempo não queria deixá-lo chateado. Mas o cara colocou a coisa por um ângulo totalmente diferente, “Edu, nos temos uma relação profissional, você não precisa me dar explicações sobre o que quer fazer com seus treinos”. Mais um ponto na minha admiração por ele.

A NATAÇÃO

Fiquei vagando no limbo dos treinamentos, com as lições aprendidas com o mestre, segui meu caminho sem grandes pretensões. Corri minha segunda São Silvestre, melhorei bem o meu tempo mas percebi que poderia melhorar minha performance através da natação. Sempre adorei água, surfei dos 12 aos 24 anos, e voltei ao surf 12 anos depois. Me sentia muito bem dentro d’água. Mas nadar de verdade isso eu não sabia, aliás não tinha a menor idéia.

Fiz minha matrícula numa academia perto de casa, aula duas vezes por semana, tentando não afundar!!! E aos poucos fui aprendendo.

Na academia descobri que o professor de natação tinha uma assessoria esportiva e que treinava alguns triatletas.

Mais uma vez as metas em minha vida se fizeram presentes. Estávamos no início de 2007 e eu coloquei na cabeça: até o final do ano eu faço uma prova de triathlon.

Saí atrás do meu sonho, aprendendo a nadar, treinando na USP aos sábados, mesmo com minha bike tosca, uma MTB Caloi de alumínio e pneu com cravo. Lá eu conheci um sujeito que adorava andar de bicicleta e estava treinando também corrida. Corremos juntos algumas vezes, eu me esforçando para pedalar ao seu lado. Viramos amigos, Vagner Bessa é o nome do cara.

Comecei a buzinar na orelha dele sobre a possibilidade de fazermos uma prova de triathlon, plantei a semente e ela germinou.

Mas uma mudança de rumo no meio do caminho, acabei me estressando com o treinador e saí da equipe. Ele, ao contrário do que ocorreu com o Vinnie, ficou muito magoado com minha saída. E o que era pior, tinha deixado amigos na equipe e não abro mão de amizades assim tão fácil.

Isto acabou me atrapalhando nos treinos de natação, pois querendo ou não, tinha que olhar para o ex-treinador todo o dia de treino na piscina, e isso me desanimava.

Eu não ia desistir de minha meta não, estava traçada e seria atingida. E quem mais para me ajudar nesta hora? Claro que ele, Vinícius.

Mandei um email para ele explicando minha situação, meu objetivo e o pedido para que ele voltasse a ser meu coach. Mais uma rodada de questionários, estrutura de tempo para treinar e ele com toda sua experiência traçou um planejamento para o resto do ano. Basta dizer que em uma semana ele já sabia mais sobre minha vontade e meus planos do que o outro com 3 meses.

E nos treinos propostos era lógico que eu tinha treinos para serem feitos na USP, onde mais… E treinando com o Vagner que ainda estava na equipe, tinha que encarar a cara amarrada do sujeito todo o sábado. Mas não estava nem aí, não guardava rancor e em nenhum momento eu disse explicitamente para o Vagner sair da equipe. Mas não passava uma oportunidade sem que eu elogiasse o trabalho do Vinnie.

O BIATHLON

Treinos e mais treinos e enfim foi  marcada minha estréia em multiesporte: SP Open de Biathlon – 3ª Etapa, no dia 23 de junho de 2007. E mais uma prova para não sair da memória.

Estou eu no dia da prova, sozinho em Santos, na Ponta da Praia, mais perdido que cego em tiroteio, não sabia o que fazer, para onde ir, qual a rotina. Uma sondada aqui, uma pergunta acolá, e me achei no ambiente. Coloquei minha roupa de borracha, uma ainda proveniente do surf, preparei minhas coisas na transição, tentando mentalizar todas as dicas e instruções passadas pelo Vinnie.

Acontece que eu tinha uma “vasta” experiência de natação, 6 meses nadando em piscina coberta, aquecida, desanimado com o professor na academia, ou seja, me sentindo em casa naquela praia. Até que o cara da linha de largada informa que o mar está puxando para a direita, direção da primeira bóia, que era para tomarmos cuidado e que enfrentaríamos a correnteza de frente entre a primeira e a segunda bóia. Tudo que eu precisava ouvir para ficar tranqüilo e sossegado para ir para água!!!

E o tempo é implacável, passa minuto após minuto inexoravelmente. E quando eu me dei conta, lá estava eu alinhado para a largada, 9:19 e soa a buzina indicando que o momento havia chegado. Bom, vamos em frente, agora não tem mais volta. Entrei na água, caminhando com as pernas levando vantagem sobre os que já estavam nadando. Mas aí chegou a hora de eu também nadar.

Desespero, não existe outra palavra que descreva a sensação que eu comecei a sentir. Paranóia pura, comecei a me esforçar muito mais do que devia, as pernas batendo freneticamente e os braços tentando puxar a água. Quando levantava a cabeça, via a bóia cada vez mais longe, por mais que eu me esforçasse ela não se aproximava. Aos poucos, bem aos poucos ela foi chegando e meu esforço aumentando. Contornei a primeira indo de cara para a correnteza. Não sei até hoje se foi puramente o efeito psicológico, mas sentia a correnteza atrapalhando as braçadas, dificultando minha chegada para o segundo contorno. E mais e mais o esforço aumentava. Contornei a segunda bóia e pude ver a praia à minha frente, ainda longe à beça, mais foi só aí que eu comecei a relaxar. Não o suficiente para nadar com alguma técnica, mas um pouco mais tranqüilo. Saí da água e olhei meu freqüencímetro, quase 190 bpm’s. Mal conseguia andar de tão cansado, zonzo tentando chegar à transição. Comecei a tirar a roupa de borracha devidamente auxiliado por um colaborador. Acho que eu ficaria pelo menos uns 10 minutos se fosse tirar sozinho. Saí para correr com o coração a mil, mal conseguia respirar. Pus na cabeça que teria que manter um ritmo mais confortável até que a pulsação baixasse um pouco. Isso levou quase um quilômetro, dos três totais. Mas com a respiração mais controlada, pude fazer a volta de 1,5 num tempo melhor que a ida. Cheguei, exausto mas feliz. Tinha derrubado mais uma barreira. Mas aquele medo que senti no mar ainda ia se fazer presente. Relembrava dele todo hora, cheguei até a ficar preocupado.

TERCEIRO ATO

A ESTRÉIA

Estamos de volta ao início desta estória, pronto para a largada numa fria manhã de domingo em agosto.

Fim de inverno em São Paulo não tem manhã quente, não tem jeito e naquele domingo não ia ser diferente. Frio, nublado, ventando, ou seja, tudo para atrapalhar, inclusive uma gripe para complicar. E novamente o implacável tempo passando, minuto após minuto até que chega o momento da largada.

Entro na água, mas desta vez pelo menos não estou sozinho, era a estréia do Vagner também. Diferente da prova em Santos, em que a largada é feita da praia, o início na USP é dentro d’água, batendo perna para não afundar.

Buzina para a largada, começo a dar as braçadas e mais uma vez não me sinto confortável. A água além de gelada, é barrenta, escura, pesada. A natação passa a não render, a cabeça começa a embaralhar as idéias e eu novamente me pergunto: O que é que eu estou fazendo aqui?? Vou me guiando pela margem à minha esquerda, até que eu não agüentei. Não tinha nem contornado a primeira bóia e já estava encostado nas pedras. Mas não desisti, apenas deixei de me preocupar com qualquer expectativa de tempo. Nadava um pouco de costas, parava para olhar a bóia, via as mulheres me deixando para trás, tudo sem a menor preocupação. Saí da água cansado, mas pelo menos deixava para trás um enrosco, ia começar a parte que eu mais gostava, a bike.

Fui para a transição, encontrei tudo bagunçado na minha área. Aliás, a vantagem de ser um nadador lento é a facilidade de encontrar sua bike!! Não tive muita paranóia não, tirei a roupa de neoprene, calcei minha sapatilha e saí para pedalar. Aos poucos fui me ambientando, melhorando minhas pedaladas e entrando no ritmo. No fim do pedal, nova transição e o sol resolve aparecer, tudo o que eu não queria. Não dava ser ao contrário? Uma natação em águas quentes e a corrida no frio? Mas se dar para atrapalhar, para que ajudar…

Mas ao largar a bicicleta, notei que meus batimentos estavam altos novamente, lembrei-me da prova de estréia no biathlon. Reduzi o ritmo e nada dos batimentos diminuírem muito. Quando davam uma melhorada, qualquer aperto na passada fazia com que eles subissem novamente. Me arrastei para cumprir os 5K da corrida. Cheguei, tossindo para caramba, cansado, quebrado e nem me senti tão feliz por ter cumprido minha meta. Não, definitivamente eu não poderia considerar aquela prova como minha estréia, não podia ser assim tão ruim.

Deixando 5 de agosto para trás, comecei a me preparar para a próxima etapa em Santos. Primeira providência tomada foi a inscrição para a 4ª etapa do SP Open de Biathlon. Objetivo? Nadar com calma, sem paranóia, sem medo e sem preocupação com o tempo. Amanheceu uma linda manhã, o mar tranqüilo, tudo favorecendo. Entrei na água para fazer meu aquecimento, curtindo a água, em estado quase zen. Me alinhei para a largada e fui para o mar.

Comecei com braçadas leves, tomando muito cuidado para não bater as pernas demais, economizando energia. Se a cabeça começava a se preocupar, eu procurava mudar os pensamentos, curtindo cada braçada. Quando dei por mim, já estava vendo as pessoas à minha frente ficando em pé para sair para a transição. Checados os batimentos, tudo normal, sem grandes sustos. Tirei o neoprene e sai para correr com tranqüilidade. O resultado desta calma foi um tempo melhor que na primeira prova, mesmo sem fazer um esforço exagerado. Era a experiência se acumulando.

Inscrição feita para a 5ª etapa do Troféu Brasil, agora era só ir melhorando os treinos.

GRAN FINALE

E então o dia da “estréia” chegou. Dia bonito também, águas calmas, sol brilhando. Apenas me chamou atenção o tamanho da faixa de areia entre o mar e a área de transição, era grande a beça. Correr demais na areia após a natação não seria uma tarefa muito fácil. Após o aquecimento fui para a largada, bem tranqüilo. Sabia que o desafio não seria fácil, mas não queria que o nervosismo me atrapalhasse. A maré baixa permitiu que eu andasse dentro d’água por um longo período, levando uma certa vantagem sobre aqueles que tinham as pernas mais curtas. Mais uma vez fiz a natação com calma, sem me estressar no caminho e tudo correu muito bem. Saí da água e fiz minha “mini maratona” até a área de transição. O trecho do pedal era simplesmente delicioso, plano e na maior parte com um bom asfalto. Chegando perto da área de transição, comecei a aliviar as marchas, girando mais leve para me preparar para a corrida. Me livrei da sapatilha ainda na bike, coisa que eu já havia treinado para facilitar as coisas. Saí para correr e adivinha quem veio correr comigo, ele mesmo, o sol forte!! Argh. Mas sabia que agora faltava pouco, e fui curtindo o caminho. Após 1:34 minutos lá estava o portal de chegada, pronto para me receber. Agora sim, estava devidamente estreado no triathlon, feliz da vida com minha medalha no peito, orgulhoso de ter derrubado mais uma meta.