Muita discussão sempre rolou ao redor da utilização da USP pelos atletas, sejam estes amadores ou profissionais.
A discussão se acirrou depois dos comentários sobre o cadastramento dos atletas para poderem usufruir do campus. Lá em baixo, no final do texto a gente vai fazer um pequeno exercício sobre a efetividade desta medida.
Mas, vamos tentar dividir esta discussão, olhando pelos diversos pontos de vista.
Em primeiro lugar, os atletas (e é apenas na ordem de análise, não considerando se nossa opinião é ou não a mais importante):
A USP é um espaço público, certo? Pagamos nossos impostos em dia e não temos por parte do poder público a devida contrapartida de apoio ao esporte amador. Me responda rapidamente, onde se pode treinar ciclismo na cidade de São Paulo em segurança? (Ok, vamos deixar de lado por enquanto a onda de assaltos que tem ocorrido na USP). Mas se alguém resolver citar a ciclovia que interliga os parques, por favor, nem continue a ler o texto. Estamos falando de ciclismo e não passeio de bicicleta.
O poder público tem o pensamento reduzido em abrangência. Não estimula o esporte amador, o nível de sedentarismo aumenta e os problemas de saúde aumentam e muito em consequência desta atitude. O custo indireto é muito superior, aumentando os casos de atendimento na rede de saúde. O descaso com a manutenção do campus é absurdo, basta uma volta para ver o mato crescendo desordenadamente. E a segurança? Quem em sã conciência passa pela subida do Hospital Universitário com uma bike, um relógio, ou dinheiro? Os responsáveis pela segurança sabem onde o problema ocorre, quem são os responsáveis e não tomam nenhuma atitude para coibir os assaltos, alguns deles beirando o absurdo, como uma atleta de uma assessoria que apanhou com um pedaço de madeira para que pudessem levar sua bike. Os demais usuários da USP não respeitam os atletas, dirigindo em alta velocidade, não se preocupando com as consequências que suas atitudes podem levar. Ou alguns estudantes que agridem aos ciclistas como foi o caso de um grupo que (ainda bem) foi preso ao derrubar um ciclista batendo com o tapete de borracha enrolado, covardia. E vamos mais, a falta de estrutura simples, como banheiros disponíveis aos usuários, manutenção das vias de rodagem, cobrindo os buracos das ruas. Esta lista não teria fim tão cedo…
Vejamos por outro lado agora. Os estudantes, funcionários e pesquisadores da USP.
Aquilo é o local deles, onde trabalham e estudam. São invadidos diariamente por um bando mal educado de pessoas que atrapalham o trânsito, sujam o campus, ofendem e se sentem os donos do local, que ocupam todas as vagas disponíveis de estacionamento e ainda reclamam quando se tenta argumentar…
Ou ainda, os motoristas que utilizam as vias da Cidade Universitária, devidamente autorizados pelas autoridades de trânsito… Eles pensam, que diabos fazem esses caras correndo e pedalando.
Vamos dividir um pouco mais isso aqui? Entre os principais grupos de atletas temos que dividir, ciclistas e corredores. Cada grupo se acha mais no direito que o outro.
Os corredores dizem que os ciclistas são perigosos e mal educados.
Os ciclistas dizem que os corredores abusam do espaço que lhes é destinado, ainda que sem nenhuma regra escrita.
ALGUÉM TEM RAZÃO NO MEIO DESTA BABILÔNIA????
A resposta, na minha opinião pelo menos!!!
Sim e Não!!
Todos tem razão, ninguém tem razão.
Sim, nós atletas estamos invadindo um espaço, e abusamos dele. Sim, os atletas espalham sujeira e são grossos com todos do local.
Não, os atletas não podem ser privados de um local para a prática da atividade esportiva
Sim, a USP é seu local de estudo e trabalho.
Não, os estudantes e funcionários não são complacentes com aqueles que utilizam o campus, abusam da velocidade sem se dar conta que estão colocando os outros em risco.
Sim, os motoristas entendem que aquilo é para eles uma rua, como outra qualquer.
Não, basta ver uma atividade diferente ao tráfegio de carros para que eles devessem reduzir a velocidade e respeitar os atletas.
Sim, é necessário um local para que os ciclistas treinem em segurança.
Não, os ciclistas não podem ser tão folgados como são.
SIM, NÃO, CADÊ A RAZÃO???
Como disse lá em cima, vamos falar da tal da carteirinha…
A reitoria alega que conseguirá aumentar a segurança do campus, como se os atletas fossem os responsáveis pelos assaltos. Aliás, quem estiver com a carteirinha não poderá ser assaltado. Isto será combinado com os assaltantes.
Mas e o controle do acesso…
Imagine as seguintes situações:
São 6:00 da manhã e os seguranças da portaria vão para todos os motoristas e perguntar: Você vai treinar? Sim? Então por favor me mostre sua carteirinha.
Não está aqui para treinar? Vai apenas usar a Av. da Raia para alcançar a Av. Politécnica? Por favor, fique à vontade.
Viável?? Lógico que não.
Então deixe todo mundo entrar… Pedimos as carteirinhas durante os treinos… Lá vem um pelotão na avenida. Por favor, parem todos e mostrem as carteiras que autorizam a utilização desta área para treino. Vocês 25 que estão com a carteira podem seguir. Estes 12 aqui não vão poder treinar, por favor recolham suas bikes e se retirem do campus…
Viável?? Lógico que não.
Se alguém conseguir visuualizar alguma outra forma razoável de controle, por favor, me esclareça.
Para que possamos viver em sociedade precisamos aprender a ceder, conceder, limitar direitos e deveres.
Viu um motorista acima da velocidade, não xingue a mãe dele, mas não deixe ele ir sem saber do perigo que ele está causando…
Procure respeitar os espaços, seja você um ciclista, seja um corredor.
Um ato de gentileza pode trazer benefícios ilimitados, o equilíbrio pode sim sem alcançado.
Desta forma poderemos mudar o título deste post, ao invés de um final com Será mesmo? poderemos completar com um Com certeza..
Bela análise sobre os diversos pontos de vista.
Acho que o problema é a questão de educação de todos, que vem lá da base da nossa sociedade. Talvez, uma campanha forte de educação com regras e multas para quem fizer errado funcione.
Agora, a carteirinha, realmente, não parece ser o melhor caminho.
Edú, parabéns pelo texto.
Você foi em busca de um ponto que deveria estar no dia a dia de todos que pela USP passam, a educação e o respeito pelo próximo.
Ninguém é dono da razão, sejam os atletas ou o restante do público que utiliza os espaços da USP.
Precisamos sim ir em busca de algo que favoreça a todos, deixando o ego de lado e pensando de uma forma coletiva.
Grande abraço e bons treinos.
Ótimo post Edu, mas a perspectiva futura é ruim. A USP vem se fechando, sem resolver seus problemas, há anos. Antigamente, déc. 80/90, a USP não fechava, não tinha portão, tinha várias entradas… podia-se jogar bola em vários lugares do campus. Cada vez mais ela se fecha, sabem por que? Ninguém está disposto a ceder.
Os ciclistas vão andar lado a lado atrapalhando o trânsito, os corredores vão correr na rua durante a semana, os carros vão correr para cortar caminho, os assaltos vão continuar, o consumo de drogas e álcool também. A USP vai mexer no que é conveniente para ela, e com certeza, não somos nós atletas.
Esse é o Vaticano Paulista, como disse o Vagner….
Abraços…e o alento talvez seja a conclusão da ciclovia da marginal, que é bem extensa e ampla…mas é uma solução longe da racionalidade do uso compartilhado dos espaços.
Edu, como sempre seu texto está sensacional!
Acho que o que falta, não só neste caso da USP, mas na grande maioria dos problemas que nós, esportistas, é tolerância. Se houvesse tolerância de todos os envolvidos, grande parte destes problemas não ocorreria.
Em menor proporção, vemos estes problemas aqui em BH. No Belvedere, em pleno domingo, os “playboys” passam em altíssima velocidade, te jogando pro passeio. Coitados dos ciclistas, que são obrigados a pedalar em avenidas movimentadas ou serem obrigados a contratar escolta para não serem assaltados no meio da estrada…
Creio que a definição deva passar por uma audiência, com todos os envolvidos. Para que possamos praticar nosso esporte em paz.
Um grande beijo e rumo às nossas metas, por que o tempo não para!
Até onde a conversa da USP é verdadeira?
Escrevemos, lemos e ouvimos várias histórias das restrições imposta pela entidade. Será tudo verdade? Em um ponto ou concordo, não há dono da razão! O certo seria criar um debate popular para que ambas as partes pudessem pronunciar seu ponto de vista.
Para coisa andar, tem que ser bom pra todo mundo!
Parabéns Edu!
Razão, todos têm as suas! Está separada igualmente entre todos! Respeito é a chave para a harmônica convivência! Principalmente num ambiente universitário.
Caros, tenho uma solução. Criamos uma associação de atletas da USP. Ou nos organizamos ou não vamos conseguir nada nunca.
Belo texto sobre o nosso “Vaticano”, esse Estado dentro da cidade de São Paulo.
Edú, parabéns! Excentes comentários sobre a disputadíssima USP.
Na minha opinião algumas coisas são relativamente simples de serem resolvidas. Basta bom senso e, claro, algum investimento. Nada de grandes estruturas – somente investimento em organização.
A USP é enorme. Não é possível que não existam lugares que podem ser demarcados para a prática da corrida de rua ou do ciclismo – preferencialmente sem que a prática de um interfira na prática do outro.
Regras são feitas para serem cumpridas. Ruas ou avenidas podem ser fechadas (total ou parcialmente) para o trânsito durante um determinado período. Horários e dias podem ser determinados. Faixas de circulação podem ser pintadas no chão de maneira que indiquem local para corrida, local para bike, local para veículo, etc. Toda convivência pode ser pacífica, desde que hajam regras e limites para todos.
Deve haver alguma forma de ser criada uma comissão que fique responsável pelo uso da USP por parte dos atletas. Não no sentido de criar carteirinhas de acesso – mas no sentido de criar regras de uso: Pretende correr? o local para a prática deste esporte é na avenida tal, dias tal e tal, das X às Y horas – você pode estacionar no local tal. Pretende treinar ciclismo? o local para a prática deste esporte é na avenida tal, dias tal e tal, das X às Y horas – você pode estacionar no local tal.
Essa comissão poderia ser formada por professores ou técnicos – que fariam contato com as pessoas responsáveis pela USP – e, assim, criariam as regras de uso.
Infelizmente o ser humano não gosta de regras e, pior, detesta se adaptar a regras. Pensar em agradar todo mundo, esqueça. Coloque as regras e ponto final.
Se existem regras, existem “punições”. Todos correm em determinado local e horário. O pessoal da segurança (se é que existe) deve monitorar. Alguém está correndo fora do local e horário determinado – a segurança deve “solicitar gentilmente que a pessoa se retire dali” – pronto. Ninguém gosta de ser chamado à atenção. Aos poucos a bagunça ficará organizada (rs).
Mas, deixar correr solto: Cada um corre no lugar que quer, no dia que quer, na hora que quer, estaciona onde entender que é conveniente – isso é complicado.
O mesmo vale para os ciclistas, para os motoristas, para os alunos, professores e funcionários da USP.
Regras! Essa é a saída! Organização!
Se tudo estiver organizado, até a questão da segurança e dos assaltos vão diminuir. Os grupos tornam-se grandes, coesos – mais difícil de um larápio abordar alguém.
Você sabe que sou paulistano – vivi aí durante 40 anos – hoje moro em Goiânia.
Corro no parque Areião. Existe uma pista em volta do parque – toda asfaltada, larga, demarcada a cada 100 metros. são 2.400 metros de pista em volta do parque. Todos os dias existem pessoas correndo lá, de manhã e à noite. A população já sabe que é proibido o acesso de bikes na pista – simples, é uma regra. Nos finais de semana, sempre há um ou outro que “quebra” essa regra e leva uma criança ou outra para andar de bike lá – acontece. Mas a convivência é pacífica. Claro que não dá para comparar a quantidade de pessoas de uma São Paulo com uma Goiânia – mas as regras podem ser comparadas e aplicadas.
Ando de bike no autódromo de Goiânia. O autódromo fica liberado para bikes, todos os dias das 6 às 9 da manhã. Depois disso, entram os carros, motos, etc. São regras.
O importante é que existam regras. Espero que vocês consigam tornar essa convivência mais pacífica, afinal, conheço bem essa cidade. A população já tem “stress” demais – e esse “stress” não deveria ser lavado para o local onde a saúde é prioridade!
Abraços!
Denys
Edu, os conceitos que você utiliza em seu excelente pensamento são os mesmos para o bom convívio em sociedade. O que quero dizer é que a USP é nada mais, nada menos, do que o reflexo da intolerância que enfrentamos diariamente no trânsito, na falta de educação de quem joga o lixo na rua, enfim, ela (a USP) apenas é um espaço onde as pessoas reproduzem sua falta de educação no exercício diário da cidadania. Por isso que a tolerância que temos que exercitar na USP é a mesma que deveríamos exercitar desde o momento em que saímos para a rua. Na minha modesta opinião, a USP tem que se manter aberta, e o Estado tem que viabilizá-la como um local para a prática das atividades esportivas, realizando um trabalho educacional. Fora isso, as conversas dos políticos que bradam seus feitos nas redes sociais é apenas blá blá blá.
Acho que o Denis coloca a questão de forma clara, clarissima! Dá até vergonha que o principal centro intelectual da América Latina não saiba lidar com a questão para o qual só é necessário bom senso.
Olha eu Edu só quero ver o fim desse romance !!!! kkkkk Enquando isso estarei treinado lá normalmente…Abraço guerreiro e bons treinos na paz de Deus pelo post….
Caros, tenho uma solução. Criamos uma associação de atletas da USP. Ou nos organizamos ou não vamos conseguir nada nunca.
Concordo com você… O difícil é achar alguém disposto a aglutinar os interesses comuns!!
Abs
Até onde a conversa da USP é verdadeira?
Escrevemos, lemos e ouvimos várias histórias das restrições imposta pela entidade. Será tudo verdade? Em um ponto ou concordo, não há dono da razão! O certo seria criar um debate popular para que ambas as partes pudessem pronunciar seu ponto de vista.
Para coisa andar, tem que ser bom pra todo mundo!
Parabéns Edu!